sexta-feira, 22 de maio de 2009

Limites estranhos

Ontem, eu tinha um balé para assistir. Há mais de dois meses, os ingressos estão comprados para a apresentação de Gisele. O espetáculo estava previsto para uma casa de show que fica na fronteira de São Paulo com o lugar nenhum.

A amiga que ia comigo saiu do Centro e passou no trabalho. A redação fica perto da Marginal e, desta forma, era mais fácil chegar. Eu demorei um pouco para encerrar as tarefas do dia, mas conseguimos sair umas 19h50. Tava bom, até: o show deveria começar às 21h.

Chegando, paramos o carro e separamos o que levar. Bolsas, blusas, telefones... tudo fica no carro para simplificar a vida (as cadeiras VIP do Credicard Hall são a coisa mais desconfortável do planeta: estofamento fino, encosto baixo e espaço de acomodação zero). Sou magra, bem magra, e tenho dificuldades para me adaptar no espaço reservado aos ísquios -- no doce hipótese de que seria possível sentar corretamente.

Separamos as carterinhas de estudante e a Amiga procura os ingressos. Revira a mochila, vasculha nos bolsos, aspira o chão do carro com os olhos. Nada. Eles só podem ter ficado na redação. Solução: voltamos correndo os mil quilômetros que tínhamos percorrido na tentativa de ver pelo menos o segundo ato.

Misteriosamente, não tenho um ataque de furia. Sem ter o que fazer, viro a chave. Encolho os ombros e sigo o trajeto. Conversamos como se nada estivesse acontecendo. Eu mesma fico surpresa com minha calma. Claro, isso me deixou alegre. Evitar uma crise de estresse precisa entrar para a fabulosa lista das "Coisas que não fiz para viver melhor". Mas também fiquei intrigada. Será que ficaria calma com minha mãe no papel da senhora amnésia? E se fosse meu (improvável) namorado? Não tenho resposta. Será que é a idade?

Enfim, chegamos em cima da hora. Mas acabou a força e o show começou com 1h30 de atraso. Com o sono acumulado e poucas horas de descanso pela frente, ainda não sei se encaro isso como benefício ou castigo.


terça-feira, 19 de maio de 2009

Sentindo a vida

Sabe, acho que ter nariz (um nariz que funciona e isso significa ter capacidade de cheirar, e não servir como plataforma para piercing) é muito bacana. É isso aí: sou feliz por ter nariz, por mais besta que seja a rima.

No sábado, uma amiga toda entendida nos cheirinhos da natureza preparou um misto de calêndula e alfazema para eu perfumar meu quarto. Nem preciso dizer que a espirração começou assim que cheguei em casa e continua até agora. O perfume é incrível!

Eu só queria era ter mais tempo para expeimentar mais arominhas. Uma das minhas gavetas guarda somente para incensos. Há uns dias, passando numa loja de produtos indianos, vi um porta-incesos sensacional na promoção. Ele não é simplesmente uma plataforma para enfiar a varetinha e esperar que ela queime. Nada disso: trata-se de uma caixinha, feita em madeira de rosas, com alguns furos. Você pode acender o incenso e fechar a tampa para que a fumacinha perfumada saia. Ou espetar a vareta e manter a tampinha aberta.

No meu aniversário, há cerca de seis meses, ganhei uma vela de flor de laranjeira da L´Occitane. O presente foi lembrança de um amigo dândi, que conhece minha paixão pelas flores e pelos perfumes suaves. A vela veio junto de um ramalhete de copos de leite, atado em junco. Nem preciso dizer que fiquei hipnotizada...

Mas, voltando: a tal da vela é uma coisa mágica. Acendo bem pertinho do travesseiro e só não durmo com ela acesa por medo de acidentes. O perfume é mágico, de uma sutileza que nem sei...

Ou eu sou muito, muito suscetível: hoje, indo almoçar, passo na frente de uma floricultura. Na porta, um balde cheio de angélicas parece abanar, chamando minha atenção. Não resisto e compro. Agora, os ramos estão na minha mesa. Só assim mesmo para que eu exercite a respiração profunda no meio de quinhentas pautas para fechar.

MEU DEUS: quem precisa de Dior; Guerlain e cia com tudo isso à disposição? Ou melhor, benditas Dior; Guerlain e cia. Realmente, alguém precisa envasar estes cheirinhos todos. Vai que, um dia, eles acabam...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Do começo

O primeiro post. Podia começar falando das justificativas para criar um blog. Bah, que assuntinho mais chato. Eu decidi porque sim e ponto. Pensei numa série de motivos. Tentei listar as desvantagens e me decidi. Que coisa mais sem graça esta de ficar buscando explicação para tudo. Ok, não é sem graça. Mas é cansativa e eu já gastei várias linhas com ela.

Agora chega. Às vezes, no meio do dia, tenho vontade de mandar um e-mail para alguém. Quando eu era criança ou tinha lá meus dezesseis anos, o faniquito era com o telefone. De tarde, depois de abrir a geladeira umas tantas vezes e zapear por todos os canais da televisão, sem achar nada interessante, dava vontade de papear.

Com as amigas da escola, faltava assunto. Se havia um gatinho em vista (e nem sempre tinha), faltava coragem. Então ficávamos eu e a agenda, numa conversa mental que nunca chegava a nenhuma atitude prática. Nada de discar uns números e aquietar. Ah, mas se o telefone tocava...
Nem que fossem as amigas da escola, e geralmente eram, com alguma desculpa sobre a tarefa, a prova ou qualquer bobagem do tipo: o assunto estendia, e como estendia.

Hoje, com celular na mão, e sem muito saco, sobra o e-mail. Só que a dúvida quanto ao remetente permanece. Daí o blog: escrevo porque quero e você lê se quiser. Não quer?
Tudo bem, não te convidei a passar aqui. Quer? Ótimo, aproveite e dê uns palpites.
Se eu vou aceitar? Isso não é problema seu. Aliás, acredito que os palpites não venham para ser aceitos. O prazer está, simplesmente, na criação deles.